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GrupoNueva, uma nova dinâmica

Terminada a Conferência do Rio, minha visão como empresário foi influenciada não só por uma nova perspectiva de desenvolvimento sustentável, mas também pela emergência da América Latina da sua “década perdida” que foram os anos 80. Foi um período de grandes esperanças para esta região tão rica em recursos humanos e naturais. Para alguns países, a globalização representa uma grande oportunidade de ampliar os seus mercados e conseguir sucesso econômico. Para outros, implica inicialmente uma concorrência ainda mais acirrada e uma exploração ainda mais intensa de suas matérias-primas. Seja como for, o primeiro passo em direção à globalização já foi dado e o mundo começa a se tornar pequeno.

Em muitos países latino-americanos a inflação estava sendo controlada; a balança de pagamentos mais equilibrada, e as empresas crescendo de forma mais eficiente. Por outro lado, a ineficiência das administrações públicas, tanto tempo oculta por trás das elites políticas e servindo a interesses particulares, estava sendo desmascarada, mas não erradicada; o desemprego continuava crescendo em muitos setores. Esses problemas permaneceram durante toda a década de 90, prejudicando, como sempre, os mais pobres.

Quando terminou a Conferência, eu tinha 45 anos e três corporações internacionais: uma, com investimentos em empresas de alta tecnologia, na Europa; um grupo dedicado ao comércio entre a Europa e a Ásia, e o GrupoNueva, voltado à fabricação de sistemas de tubulações e à área florestal, na América Latina. Na minha atividade como empresário eu tinha experimentado tudo o que é possível imaginar: tinha chegado ao topo, quase ido à falência e trabalhado duro para conseguir voltar ao topo novamente. Eu tinha vencido, perdido, renovado, reestruturado, vendido e diversificado; tinha experimentado grandes sucessos e fracassos arrasadores.

Pensava no meu futuro e sabia que “mais da mesma coisa” não seria um desafio suficiente para mim. Ainda me sentia muito jovem para passar os próximos 20 anos – calculando que fosse me aposentar aos 65 – comprando, vendendo e diversificando empresas. Portanto, decidi vender as minhas companhias com sedes na Suíça. Fiquei contente que a minha intuição para os negócios ainda funcionasse bem: as minhas empresas tinham atingido seu pleno potencial e nesse momento estavam prontas para irem às mãos dos compradores certos. Com a venda dessas empresas eu criei os meios para financiar os meus novos projetos.

À medida que aumentava significativamente os meus investimentos na América Latina, fazia cada vez menos sentido manter a minha base operacional na Suíça. Decidi transferi-la para a Costa Rica, país denominado a “Suíça da América Central” que eu conhecia muito bem por ter feito numerosas viagens durante os últimos 25 anos e onde tinha feito alguns dos meus melhores amigos. Sua localização geográfica também me permitia estar mais próximo de clientes e de parceiros nos meus negócios, das minhas atividades filantrópicas, além de compartilhar minhas impressões sobre a região no seu próprio idioma.

Quando fundei GrupoNueva em 1994, era um holding industrial que gerava valor aos seus acionistas e à sociedade, com posições de liderança em toda a América nas áreas de industria florestal e materiais de construção. Os setores de negócios daquela época eram: Amanco, líder na América Latina na produção e comércio de produtos para o transporte de fluídos (sistemas de tubulações) e sistemas leves de construção (Plycem Construsistemas); e Masisa, uma empresa florestal integrada com uma organização internacional de vendas e marketing para produtos de madeira. Por motivos práticos, a casa matriz se mudou de Costa Rica para Santiago do Chile. O setor Amanco foi vendido em março de 2007 por razões estratégicas, depois o mesmo ocorreu com o setor Plycem, em dezembro de 2007.

O denominador comum de todas as empresas do GrupoNueva é sua filosofia corporativa baseada em três áreas que se complementam: rentabilidade, responsabilidade social e gestão ambiental.

O objetivo do GrupoNueva era ser líder nos mercados em que atua e na satisfação do cliente, com foco no crescimento do capital investido a longo prazo, para conseguir rentabilidade. A responsabilidade social corporativa era um dos elementos chaves do conceito de desenvolvimento sustentável. A visão do grupo, definida nos seus relatórios de sustentabilidade, afirmava: “Queremos ser reconhecidos como um grupo empresarial líder na América Latina, formado por empresas que geram valor econômico operando de forma ética, eco-eficiente e com responsabilidade social, de forma a contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas”.

Nos últimos anos, o GrupoNueva conseguiu melhorar sua rentabilidade e competitividade, período em que muitas outras empresas latino-americanas que atuam em áreas semelhantes desmoronaram. Atribuo este desempenho à forte liderança, ao espírito de equipe regido por um conjunto de valores, e ao trabalho duro realizado para quantificar e difundir qual é o papel que esses valores desempenham em termos de impacto social e ambiental e também no que diz respeito à rentabilidade. Em 2002, o GrupoNueva publicou seu primeiro relatório de sustentabilidade avaliado por auditores independentes.

Graças à minha liberdade para administrar e dispor do meu patrimônio, pude investir em negócios com grande potencial de crescimento em longo prazo. Uma parte desses investimentos é destinada ao plantio de árvores que, por sua vez, previnem a erosão do solo e eliminam o dióxido de carbono da atmosfera. E que, além disso, esses investimentos criam postos de trabalho em áreas rurais, oferecem serviços de saúde, programas de capacitação e salários dignos aos empregados.

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